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Balõezinhos
Na feira do arrabaldezinho
Um homem loquaz apregoa balõezinhos de
cor:
— "O melhor divertimento para as
crianças!"
Em redor dele há um ajuntamento de
menininhos pobres,
Fitando com olhos muito redondos os
grandes balõezinhos muito redondos.
No entanto a feira burburinha.
Vão chegando as burguesinhas pobres,
E as criadas das burguesinhas ricas,
E mulheres do povo, e as lavadeiras da
redondeza.
Nas bancas de peixe,
Nas barraquinhas de cereais,
Junto às cestas de hortaliças
O tostão é regateado com acrimônia.
Os meninos pobres não vêem as ervilhas
tenras,
Os tomatinhos vermelhos,
Nem as frutas,
Nem nada.
Sente-se bem que para eles ali na feira
os balõezinhos de cor são a única
mercadoria útil e verdadeiramente
indispensável.
O vendedor infatigável apregoa:
— "O melhor divertimento para as
crianças!"
E em torno do homem loquaz os menininhos
pobres fazem um círculo inamovível de
desejo e espanto. |